Pandemia: como a construção off-site se tornou uma grande aliada

Como a construção hospitalar off-site se tornou uma solução permanente no combate à COVID-19

Como a construção hospitalar off-site se tornou uma solução permanente no combate à pandemia
Esse post é uma adaptação de um artigo escrito por Amanda Cardoso da Silva e Professora Dra. Andrea Murilo Betioli para a revista Téchne.

Em meio à pandemia do novo coronavírus, a demanda por leitos hospitalares cresceu no Brasil. Com isso, a Ambev e a Gerdau uniram forças junto à prefeitura de São Paulo e o Hospital Israelita Albert Einstein para a construção de um novo Centro de Tratamento para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Com 100 leitos em apenas 33 dias anexo ao Hospital Municipal M’Boi Mirim – Dr Moysés Deutch, que, após a pandemia, será entregue à Prefeitura de São Paulo, compondo a rede pública de saúde do município. 

A entrega destes leitos em um curto prazo só foi possível devido ao método off-site, realizado pela construtech catarinense Brasil ao Cubo. A construção modular off-site é, de maneira simples, segundo o CTO e Engenheiro da Brasil ao Cubo, Jonathan Degani: “uma obra fabricada e transportada em ‘fatias’ em cima de caminhões; ao chegar no seu terreno, juntamos as ‘fatias’ e a obra fica igual a uma construção que você está acostumado.”

Com base na filosofia Lean Construction, a construção modular traz mais qualidade, rapidez e inovação contínua para as obras.

A construção do hospital foi executada 90% em parque fabril através da montagem de módulos que foram transportados até o local de instalação no sul da capital paulista, o que garantiu a partir do sistema de construção modular off-site a racionalização de tempo e desperdícios, além de assegurar um maior controle de qualidade, gestão de resíduos e racionalização de consumo. 

A área total construída em anexo ao Hospital M’ Boi Mirim foi de 1350 m² com capacidade para 100 leitos em um prazo total de 33 dias, sendo que em 20 dias foram entregues 750 m² com capacidade para 40 leitos.

Um dos fatores que possibilitou a construção do hospital dentro do prazo, foi a logística de fabricação e de transporte entre a empresa catarinense Brasil ao Cubo, responsável pela obra, e a empresa Tecverde do Paraná, contratada para executar as vedações verticais internas e externas em wood frame.

Além disso, a Ambev integrou o time com a gestão de projetos e o custo de produção, a Gerdau forneceu o aço (principal matéria-prima), e o recurso financeiro para a conclusão do projeto. O Hospital Municipal M’ Boi Mirim assegurou a gestão do atendimento, com foco na qualidade, segurança do paciente e humanização.

Projeto

O projeto consiste em módulos metálicos, produzidos em ambiente fabril, acoplados entre si para compor a obra de ampliação do Hospital M’ Boi Mirim. Esta obra foi realizada em 2 pavimentos, sendo 48 módulos destinados para a criação de quartos com 100 novos leitos e 8 módulos para áreas de apoio.

Toda a estrutura está interligada ao hospital existente através de uma passarela. A Figura 1 mostra a localização do bloco de ampliação do hospital.


Figura 1 – Localização do bloco de ampliação do hospital

A Figura 2 mostra a perspectiva de um módulo montado pela Brasil ao Cubo e Tecverde que foi transportado até o local de instalação para a construção do Hospital.


Figura 2 – Perspectiva de um dos módulos construídos para a montagem do Hospital.

A cada 3 módulos de 6,0 x 3,20 x 3,20 m acoplados foi instalado um quarto coletivo com capacidade para 7 pacientes e banheiro com acessibilidade completa, sendo que a área útil do quarto é de 35,44 m² e a área total útil do ambiente de 40,66 m², como mostra a planta humanizada da Figura 3. Além do mais, todos os quartos são equipados com rede de oxigênio; ar comprimido medicinal e óxido nitroso; rede lógica; sistema de proteção contra incêndio, incluindo sensor de fumaça e ar condicionado.


Figura 3 – Planta baixa humanizada

O acabamento interno foi realizado com gesso acartonado e pintura epóxi nas paredes – forro de gesso com pintura em tinta acrílica – piso vinílico nos quartos, áreas de apoio, corredores e piso porcelanato nos sanitários. O acabamento externo foi realizado com chapa ACM (Material de Alumínio Composto), um material composto por duas chapas de alumínio com um núcleo de polietileno de baixa densidade.

A Figura 4 mostra a renderização, imagem artificial muito realista, dos acabamentos internos dos quartos e banheiros.

Figura 4 – Renderização dos acabamentos internos dos quartos e banheiros

A Figura 5 demonstra uma vista explodida com elementos deslocados para facilitar a visualização da montagem e dos materiais utilizados.


Figura 5 – Vista explodida do módulo

Sistema construtivo utilizado e logística de transporte

A construção civil é um dos setores menos tecnológicos e mais tradicionais da economia (BUILDIN, 2018). Porém, no decorrer dos anos, esse setor começou a aplicar novas técnicas construtivas e utilizar produtos industrializados fabricados com um maior controle de qualidade (ALVES, 2016).

Nesse cenário, é possível visualizar o sistema construtivo modular, largamente empregado na Europa e no Japão, e utilizado pela empresa Brasil ao Cubo, pioneira em construção modular industrializada no Brasil. 

Em conformidade com Spadeto (2011), além do maior controle de qualidade do sistema construtivo industrializado, é possível reduzir o prazo de execução, e produzir, independentemente das condições climáticas, tendo um controle maior de custos, reduzindo o consumo de materiais e seus percentuais de perda.

A partir do avanço tecnológico da empresa Brasil ao Cubo no setor da construção civil, foi possível entregar 100 leitos em 33 dias, sendo 7 dias antes do previsto.

Com isso, Ricardo Mateus, diretor – presidente e fundador da empresa – salienta que é possível acelerar em até 6 vezes o processo de construção em comparação com o método construtivo convencional de alvenaria.

As operações da execução off-site para ampliação do Hospital M’ Boi Mirim em São Paulo/SP foram divididas em 6 frentes de serviço: 

  • Infraestrutura em São Paulo;
  • Produção de chassis, que são as estruturas do piso e da cobertura do módulo, na empresa Brasil ao Cubo em Tubarão/SC;
  • Fabricação das paredes em wood frame na empresa Tecverde em Araucária/PR;
  • Montagem das paredes na empresa Tecverde em Araucária/PR;
  • Fabricação de módulos volumétricos, que são os módulos completos com as paredes e os chassis de piso e cobertura, na empresa Brasil ao Cubo em Tubarão/SC;
  • Acoplagem e acabamentos dos módulos em São Paulo.

Cada uma das frentes teve o seu ciclo operacional e capacidade produtiva desenhado para atender a demanda, sendo assim, a logística e a operação foram planejadas a partir do projeto e capacidade de acoplagem no terreno, onde a capacidade desse dependia de espaço físico, número de colaboradores e equipamentos, sempre visando a segurança do trabalho.

Dividiram-se as frentes operacionais de maneira uniforme dentro das capacidades produtivas de cada uma, para então possibilitar que todas as partes envolvidas trabalhassem em paralelo para entregar o hospital dentro do prazo estabelecido. 

Dessa forma, na fábrica da Brasil ao Cubo, em Tubarão/SC, foram produzidos 12 módulos volumétricos com dimensões de 3,20 x 6,00 m (Figura 6), e 44 chassis, que são divididos em 22 chassis para o chão e 22 chassis para a cobertura do módulo (Figura 7).

Os chassis foram transportados em carretas prancha até Araucária/PR, onde foram acopladas às paredes produzidas pela construtech Tecverde. Depois de finalizada essas etapas, os módulos volumétricos viajaram até a capital paulista e foram acoplados na infraestrutura preparada pela equipe da Brasil ao Cubo através do sistema Plug and Play, no qual permite que os módulos sejam capazes de serem interligados entre si.

A Figura 6 apresenta o mapa da logística de produção e transporte dos módulos.


Figura 6 – Mapa de logística de transporte do hospital M’Boi Mirim

A Figura 7 mostra o módulo volumétrico

Uma imagem contendo edifício, trem, grande, mesa

Descrição gerada automaticamente
Figura 7 – Módulo volumétrico construído na fábrica modular off-site

A Figura 8 mostra o carregamento realizado na empresa Brasil ao Cubo dos chassis de piso e cobertura que estão acoplados para facilitar o transporte.


Figura 8 – Carregamento dos chassis de piso e cobertura

A Figura 9 mostra o transporte dos módulos em caminhão prancha até o local de instalação em São Paulo.

Caminhão na rua

Descrição gerada automaticamente
Figura 9 – Módulos sendo transportados até o local de instalação anexo ao hospital M’Boi Mirim

A Figura 10 mostra a montagem dos módulos no local e o hospital pronto pode ser visto na Figura 11.


Figura 10 – Montagem do hospital in loco


Figura 11 – Hospital M’ Boi Mirim

Segurança dos colaboradores 

Para garantir a segurança de todos que trabalharam durante o período de quarentena decretado pelo Estado de Santa Catarina, a equipe de segurança do trabalho da empresa Brasil ao Cubo realizou medidas de prevenção para auxiliar no controle da disseminação do coronavírus (COVID-19) entre seus colaboradores, familiares e comunidade, tais como:

– Unidade móvel disponível durante as atividades com a equipe do SESMT (Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho) a disposição realizando a triagem:

  • Check-List de sintomas de COVID-19 e entrega de EPI’s específicos ao combate da propagação do vírus;
  • Proibição de qualquer tipo de aglomeração, realizando escalas de horário e o distanciamento recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde).
  • Medidas de higienização a cada 2 horas em todos os ambientes, máquinas e equipamentos;
  • Entrega de kits de higienização para todos os funcionários da Brasil ao Cubo e empresas parceiras; 
  • Diálogo Diário de Segurança e conscientização com assuntos relacionados ao COVID-19; 
  • Hospedagem em hotel exclusivo para a equipe da empresa Brasil ao Cubo em São Paulo.

Além disso, enquanto perdurar a pandemia, a empresa contará com um Comitê Gestor de Prevenção e Monitoramento ao COVID-19 que auxiliarão todos seus colaboradores e empresas parceiras.

Novos hospitais contra a pandemia

Após a construção do hospital M’ Boi Mirim, primeiro hospital produzido pela Brasil ao Cubo, foram construídos mais 4 hospitais que seguem o mesmo modelo de construção off-site e logística de transporte.

Como esse modelo de construção se mostrou extremamente eficiente, diversas empresas decidiram confiar à Brasil ao Cubo a construção de hospitais dedicados no combate à COVID-19, que ficarão como legado após a pandemia, diferente de hospitais de campanha que são desmontados após um tempo.

Sendo assim, abaixo você pode conferir os hospitais que foram/estão sendo feitos até agora, junto de suas fichas técnicas:

  • Hospital Independência

Localização: Porto Alegre/RS
Parceiros: Gerdau, Ipiranga, Prefeitura de Porto Alegre e Hospital Moinhos de Vento
Área Total Construída: 842,23 m²
Quantidade de Módulos: 50 módulos
Quantidade de Leitos: 62 leitos
Entrega: 30 dias


Figura 12 – Hospital Independência

  • Hospital de Retaguarda

Localização: São José dos Campos/SP
Parceiros: Prefeitura de São José dos Campos
Área Total Construída: 1500,00 m²
Quantidade de Módulos: 67 módulos
Entrega: 36 dias


Figura 13 – Hospital de Retaguarda

  • Hospital Regional Ceilândia

Localização: Brasília/DF
Parceiros: Privado
Área Total Construída: 1275, 85 m²
Quantidade de Módulos: 53 módulos
Número de Leitos: 73
Entrega: 34 dias


Figura 14 – Hospital Regional de Ceilândia

  • Hospital Cemetron 

Localização: Porto Velho/RO
Parceiros: Privado
Área Total Construída: 846,94 m²
Quantidade de Módulos: 57 módulos 
Quantidade de Leitos: 58 leitos
Prazo: 35 dias

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